
A revolução na Líbia – produto e continuidade da revolução árabe – encontra-se em um momento muito difícil. De um lado, o ditador Khadafi vem esmagando a revolução. De outro, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma intervenção na Líbia “em defesa do povo”. Ambas as ações são um erro. O caminho é a revolução.
Em qualquer revolução há os que realmente desejam a mudança, a democracia, o socialismo, e há os oportunistas, que querem estar ao lado de quem ganha. Na Líbia, os mesmos ministros que foram fiéis a Khadafi durante anos e os mesmos representantes na ONU nos Estados Unidos, que durante décadas concordaram com a repressão e a ditadura, tornaram-se defensores da democracia. Junto ao comitê revolucionário do país eles apóiam a intervenção da ONU.
Porém, a revolução é justamente o contrário. É a ruptura com o imperialismo. Bons exemplos do que está ocorrendo foram as guerras em defesa da “democracia” no Iraque e no Afeganistão. Elas resultaram em uma pseudo-democracia, com eleições fraudulentas, manutenção de tropas estrangeiras e, principalmente, a mesma política de miséria, privatizações e concessões.
Correta está a resolução da direção executiva nacional da Centra Única dos Trabalhadores do Brasil (CUT), de 1º de março de 2011:
“A onda de mobilizações e levantes populares iniciada na Tunísia e Egito hoje atinge outros países da região, e em particular a Líbia, onde os 42 anos de poder de Muamar Khadafi são colocados em questão por mobilizações de massa. A CUT condena a repressão violenta aos/às manifestantes e se coloca ao lado da luta popular pela democracia e por melhores condições de vida para o povo líbio. Ao mesmo tempo, é com preocupação que a CUT acompanha movimentos por parte de grandes potências, como os EUA, que deslocam navios para o litoral líbio, prenúncio de uma intervenção militar externa inaceitável. Cabe ao povo líbio, assim como aos povos do Egito e da Tunísia, decidir de forma soberana, sem ingerência estrangeira, os seus próprios destinos.”
A abstenção do Brasil no Conselho de Segurança da ONU é inaceitável. O Brasil deveria votar contra a intervenção, ainda que essa posição fosse minoritária. O representante brasileiro declarou que havia o temor de que a atitude internacional aumentasse os confrontos. Sabendo disso, como justificar a omissão? A resolução da ONU fala em “exclusão aérea” e não proíbe “tropas de ocupação”. Ou seja, permite o envio de tropas para sufocar o povo (com a roupagem de ajuda).
A intervenção na Líbia é mais uma tentativa de destruir a revolução árabe. Como o é a intervenção da Arábia Saudita no Bahrein. Mas, a revolução, uma vez iniciada, não se deterá. O povo e os trabalhadores líbios sofrem com a repressão de Khadafi e vão sofrer ainda mais com os imperialistas.
Chamar essa intervenção de defesa do povo líbio é hipocrisia, pois quando o povo palestino foi massacrado pelo estado de Isrrael na Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança da ONU não agiu.
As massas têm muita força. É preciso continuar apoiando a revolução árabe. Na Líbia, é necessário criticar os defensores da intervenção imperialista da ONU e da OTAN.
• Abaixo a intervenção imperialista na Líbia!
• Abaixo Khadafi e todos os ditadores!
• Viva a revolução árabe! Viva a revolução socialista!



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